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AVIVAMENTO: HÁ ALGO QUE NÓS PODEMOS FAZER?

Publicado em: 09/03/2021
AVIVAMENTO: HÁ ALGO QUE NÓS PODEMOS FAZER?

Aqueles que vêm acompanhando a situação nos EUA em relação ao cristianismo, a política, a administração Trump e a eleição de Joe Biden estão cientes das turbulências e controvérsias, das questões proféticas e dos desapontamentos. Já escrevi sobre isso no passado, sempre apontando que o progresso da justiça na sociedade, por meio da política, só pode ser permanente se houver um Corpo de Cristãos crescente e avivado construindo comunidades com discipulado de qualidade em todo o país, mudando a cultura da nação. Minha maior esperança é um avivamento, seja para trazer um período de descanso e restauração aos Estados Unidos, seja para preparar-nos para a grande tribulação que está por vir.

Já argumentei teologicamente, assim como vários outros intérpretes da Bíblia – de puritanos e pietistas luteranos até avivalistas do século dezessete até o século vinte – que o Milênio será precedido de um tremendo avivamento, suficiente para que seja cumprido o mandamento de evangelização mundial. Ele também irá chegar a Israel, e será essencial para sua salvação. Segundo esse raciocínio, Atos 2 foi a primeira – e significativa – parcela de Joel 2, mas o cumprimento completo somente ocorrerá logo antes da volta do Senhor, e incluirá os sinais restantes descritos ali. Esse ponto de vista, além de bem embasado historicamente, é bastante adotado entre os estudiosos. Tivemos, entretanto, outros avivamentos nesse meio tempo.

Em 1968, o historiador J. Edwin Orr, do Fuller Theological Seminary, falou sobre avivamentos no Wheaton College. Na ocasião, defendeu que os grandes avanços do Evangelho resultaram de derramamentos do Espírito. Sua obra discorre com riqueza de detalhes sobre o tema. Richard Lovelace, do Gordon Conwell Theological Seminary, na obra Dynamics of Spiritual Renewal, endossa sua posição.

Eu próprio assisti um derramamento no Wheaton College, quando minha esposa estava no terceiro ano do curso, que transformou o campus em 1969 e outra vez nos anos 90. Beth Messiah, minha congregação, foi tocada e influenciada pelos avivamentos e renovações de Pensacola, na Florida e Toronto, no Canadá. Recebemos várias visitas de líderes desses movimentos, que levaram muitas pessoas a se entregarem radicalmente a ministérios de evangelismo. Enviamos dezenas delas em ministério integral. Foi incrível.

Existe, porém, algo que possamos fazer para incentivar um avivamento, mesmo que ainda não seja o grande derramamento final pelo qual oramos e esperamos? Charles Finney, o grande evangelista do século dezenove, escreveu em Lectures on Revival que basta cumprirmos algumas condições para que venha um avivamento. Lovelace, um historiador mais calvinista em suas colocações, argumentou que campanhas de oração são essenciais para um avivamento, mas que Deus é soberano e pessoas não são capazes de iniciar um avivamento sozinhas. Mesmo assim, será que podemos aumentar as chances de que aconteça um avivamento?

Seguem algumas conclusões, baseadas em minha experiência e meus estudos, sobre avivamento:

1. É muito mais provável haver um avivamento quando há um povo preparado para ansiar por ele. Como isso acontece? Por meio de pregação que enfatiza avivamento, primeiro baseado nos textos bíblicos e depois nas histórias de avivamentos passados e no que aconteceu naquelas épocas e que podem voltar a acontecer. Alimentar esse anseio em grupos de oração e congregações cada vez mais numerosos é algo que costuma preceder um avivamento.

2. Pregadores de avivamento são essenciais. Eles galvanizam o povo, convocando-o ao arrependimento e à dedicação. Isso também acontece durante o avivamento, mas existe uma preparação. Creio que ministros de avivamento, movidos pelo poder do Espírito, foram essenciais para o que ocorreu em nosso meio nos anos 1990. Incentivamos pessoas a visitar os lugares onde os derramamentos estavam acontecendo, buscando também trazê-los para nossa comunidade. Não permitimos que nossa origem e identidade judaicas fossem obstáculos para isso. Também aceitamos certas manifestações que talvez fossem questionáveis de um ponto de vista histórico. Não impedimos aquilo que nos deixava desconfortáveis. Pelo contrário, preparamos nosso povo para isso. (Ver obra do psiquiatra John White, When the Spirit Falls in Power.)

3. Outro ponto importante é a necessidade de preparação para que os frutos do avivamento não venham a se perder. Certamente muitos diriam que desejam ver um avivamento, sem saber que isso poderá revirar suas vidas caso se submetam ao que Deus quer fazer em tempos de avivamento. Noites inteiras poderão ser tomadas por um evangelismo de poder, com sinais e maravilhas durante os ajuntamentos. Alguns serão tão tocados pelo Senhor que passarão horas em sua presença, às vezes deitados no chão, incapazes de se mover. Isso aconteceu no ministério de Jonathan Edwards, com Ludwig von Zindendorf e os morávios, com John Wesley e os avivamentos metodistas, com Peter Cartwright, com Evan Roberts e o avivamento no País de Gales, na rua Azusa e o avivamento pentecostal, no movimento Chuva Serôdia no Canadá e outros. Randy Clark, em seu livro There is More, faz um excelente resumo – os paralelos entre esses avivamentos são impressionantes.

4. Creio que seja mais provável que Deus envie um avivamento desse tipo quando existe uma preparação para lidar com ele. Isso inclui a capacidade de ensinar grandes grupos de novos convertidos. Ensinar-lhes a Bíblia e como caminhar como cristãos é algo que pode acontecer em reuniões maiores, mas também irá ocorrer em grupos pequenos como os metodistas faziam. Esse é o modelo de Atos 2.42. Talvez Deus não enviou o avivamento ainda por saber que não há gente suficiente disposta a pagar o preço de receber a glória.

Sim, os maiores avivamentos resultaram em transformações sociais. Entretanto, mais importantes ainda são os avanços que eles trouxeram para a divulgação do Evangelho e para a multiplicação de congregações.

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